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	<title>Arquivos Regra de São Bento - Mosteiro da Virgem</title>
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	<description>Mosteiro Beneditino Feminino</description>
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	<title>Arquivos Regra de São Bento - Mosteiro da Virgem</title>
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		<title>Precisando dar uma organizada na vida? São Bento pode ajudar!</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2022 00:05:23 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><span>Esqueça Marie Kondo e aqueles programas de organização doméstica que passam na TV. Um dos maiores mestres em organização que este mundo já conheceu chama-se São Bento!</span></p>
<p><span>A Regra de São Bento, escrita por São Bento de Núrcia no século VI, é um &#8220;conjunto de preceitos destinados a regular a vivência de uma comunidade monástica cristã, regida por um abade&#8221;.</span></p>
<p><span>Regras são importantes! Vários elementos regem, ou seja, colocam regras em nossas vidas, de forma que possamos viver melhor. São Bento escreveu uma série delas que, no entanto, podem ser resumidas em apenas uma:</span></p>
<p style="text-align: center;"><span>&#8220;Se você quiser ter paz, reze e trabalhe!&#8221; </span><br /><em>(Pax! Ora et labora!)</em></p>
<p><span>&#8220;Ah, só isso? Isso eu já faço&#8230;&#8221; Não é exatamente &#8220;só&#8221; isso. Nosso amigo santo escreveu, mais ou menos, 73 tópicos para organizar a vida dos monges que desejassem viver como ele, sob o carisma que depois ficou conhecido como beneditino.</span></p>
<p><span>Esses tópicos todos tratam desde a importância do silêncio e da oração até coisas simples do dia a dia, como os horários pra dormir e acordar. Essa regra abraçava toda a vida dos monges, de tal forma que começou a funcionar tão bem que o imperador carolíngio Luís I, filho de Carlos Magno, a tornou obrigatória em todos os mosteiros sob seu império. </span></p>
<p><span>Na opinião de alguns estudiosos, a Regra de São Bento elevou o monastério até mesmo à condição de modelo para a organização social e política da cristandade.</span></p>
<p><span>Começando pelo começo</span></p>
<p><span>São Bento começa falando da importância de escutar, de coração e mente abertos, a voz dos mais experientes. Depois, ele segue listando e organizando as coisas (a gente deu uma resumida pra você ler até o final, ok?):</span></p>
<p><span>1. Cada um tenha sua função particular dentro da comunidade (ou da residência); </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🧩</span></span></p>
<p><span>2. Todos sejam imitadores de Cristo; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🙏🏻</span></span></p>
<p><span>3. Valham-se da prática de &#8220;boas obras&#8221; (e aqui entram outras 70 e poucas, baseadas, essencialmente, nos Dez Mandamentos da Lei de Deus); </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🦸‍♂️</span></span></p>
<p><span>4. Obediência, silêncio e humildade facilitam a convivência de qualquer grupo; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🤫</span></span></p>
<p><span>5. Estabeleçam horários certos para rezar, pois ajuda a desenvolver a prática natural da oração; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🕑</span></span></p>
<p><span>6. &#8220;Dormir&#8221; (ou conviver) com pessoas de diferentes idades (pais, irmãos, etc.) ajuda a estar atento às necessidades do outro e estimula o mútuo incentivo; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">👵</span></span><span> </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">👶</span></span></p>
<p><span>7. Penas devem ser proporcionais às faltas, ou seja, quanto mais graves forem seus erros, assim também serão suas consequências; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">📵</span></span></p>
<p><span>8. Tenham controle de suas coisas, sem excessos e sabendo exatamente a utilidade de cada um de seus pertences; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">💸</span></span></p>
<p><span>9. Não rejeitem compartilhar o que têm com quem não tem; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🍛</span></span></p>
<p><span>10. As tarefas domésticas devem ser divididas e revezadas entre os moradores da casa; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🧹</span></span></p>
<p><span>11. Tenham um cuidado especial com idosos, crianças e doentes; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">👴🏾</span></span></p>
<p><span>12. Não comam e nem bebam demais; em vez disso, leiam; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">📚</span></span></p>
<p><span>13. Ocupem seu tempo livre com atividades manuais; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">✂️</span></span></p>
<p><span>14. Exercitem a hospitalidade com quem vier lhes visitar; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">🛌</span></span></p>
<p><span>15. Não deixem de rezar, mesmo em viagens; </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">⛪️</span></span></p>
<p><span>16. Carreguem sua cruz com humildade, por mais penoso que pareça. </span><span class="oqcyycmt def1xbws oygrvhab o9f14d3k kvgmc6g5 jedpkwab sgc6yxs4 qb00l2mb mufzhxvi" data-testid="emoji"><span class="dogb1923 fmmipo9f s8xsxick qt6c0cv9 h8kjiq92 jb3vyjys">✝️</span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span>Fonte: </span><a href="https://www.a12.com/jovensdemaria/artigos/comportamento/precisando-dar-uma-organizada-na-vida-sao-bento-pode-ajudar" class="gofk2cf1 t5a262vz py34i1dx"><span>https://www.a12.com/jovensdemaria/artigos/comportamento/precisando-dar-uma-organizada-na-vida-sao-bento-pode-ajudar</span></a></p></div>
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		<title>10 conselhos de São Bento para melhorar sua vida diária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[mosteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 14:17:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>São Bento  pode ter vivido 1.500 anos atrás (480-547), mas a sabedoria por ele transmitida em sua Regra ainda ajuda muita gente a trilhar o caminho da santidade.</p>
<p>Sua Regra reúne seus conselhos, diretrizes, que ele mesmo seguiu. Eles vêm de sua experiência da vida cotidiana e de sua visão da natureza humana. Representam um verdadeiro caminho de conversão do coração, um caminho para o renascimento no Espírito que Jesus revelou a Nicodemos. No entanto, não é preciso ser monge para ser ajudado por sua perene sabedoria. Aqui estão 10 dicas que podem nos fazer muito bem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="text-decoration: underline;"><em><span style="color: #000000;"><strong>1 &#8211; “MEUS FILHOS, OUVI-ME”</strong></span></em></span></h2>
<p>É assim que a Regra começa. Para ouvir, devemos primeiro manter o silêncio. Para um monge beneditino, falar sem necessidade, sem dizer nada de valor, era censurável. A maioria de nós não está vinculada a esse grau de rigidez, mas o silêncio nos permite refletir sobre nós mesmos e estar mais atentos aos outros, ajuda-nos a ser mais pacíficos e nos coloca na presença de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">2 &#8211; O TRABALHO AJUDA A TER UMA MENTE SAUDÁVEL</span></span></em></strong></h2>
<p>“A ociosidade é inimiga da alma”, escreve São Bento. Ele ordenou que seus monges dividissem seu tempo entre o trabalho, a leitura e a oração, de tal maneira que desenvolvessem um corpo, mente e alma equilibrados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><span style="text-decoration: underline;"><em><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">3 &#8211; </span>TRANSFORME CADA TAREFA EM ORAÇÃO</span></em></span></strong></h2>
<p>Para São Bento, toda tarefa participa da obra criadora de Deus e dos sofrimentos de Cristo. O trabalho deve ser considerado um serviço aos outros e uma forma de oração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">4 &#8211; </span>NOSSOS DIAS DEVEM SEGUIR UM RITMO</span></span></em></strong></h2>
<div class="nativo-inread"></div>
<p>Em um mosteiro, a Regra impõe um tempo para tudo: oração, trabalho, leitura, reflexão… Esses princípios antigos ainda estão sendo ensinados como parte das habilidades de administração do tempo em escolas de negócios e em livros de auto-ajuda, que nos encorajam a estabelecer certos princípios e os horários de início e fim de cada tarefa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">5 &#8211; </span>SEJA ATENCIOSO COM OS OUTROS</span></span></em></strong></h2>
<p>Para São Bento, o respeito deve caracterizar todos os nossos relacionamentos com outras pessoas. “Que todos sejam recebidos como Cristo”, diz ele, falando sobre os visitantes, “especialmente os pobres e os viajantes”. Se formos todos atenciosos uns com os outros – até mesmo com nossos inimigos – contribuiremos para construir um mundo que reflita o amor de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">6 &#8211; </span>PRATICAR A DISCIPLINA</span></span></em></strong></h2>
<p>O santo abade dizia a seus monges para que eles parassem o que estavam fazendo pontualmente quando chegasse a hora de passar para outra tarefa, embora possa ser difícil fazê-lo; mas se deve fazê-lo em obediência à vontade de Deus. Podemos não ter um abade nos dizendo qual é o nosso cronograma, mas nos obrigarmos a seguir um cronograma bem planejado realmente nos liberta da escravidão do improviso e dos impulsos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">7 &#8211; </span>LEIA FREQUENTEMENTE PARA ALIMENTAR SUA MENTE E ALMA</span></span></em></strong></h2>
<p>São Bento indicava que seus monges dedicassem uma parte importante de seu dia à leitura das Escrituras ou outros livros edificantes, em intervalos de períodos de trabalho, oração e durante as refeições. Ler bons livros pode nos dar novas ideias, tornar-nos mais empáticos, ampliar nossa mente e nos ensinar a sabedoria do passado e do presente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">8 &#8211; </span>ENTENDER E RESPEITAR SUAS PRIORIDADES PRÓPRIAS</span></span></em></strong></h2>
<p>Para os monges, a maior prioridade é buscar a Deus, especialmente na oração. Tudo na Regra está organizado em torno desse princípio. São Bento repete isso em formulações ligeiramente diferentes. Precisamos saber quais são nossas prioridades e respeitar essas prioridades na forma como usamos nosso tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">9 &#8211; </span>FAÇA AS PAZES COM OS OUTROS</span></span></em></strong></h2>
<p>De várias maneiras e circunstâncias, São Bento exorta seus monges a se desculparem sempre que ofenderem outras pessoas. Ele os lembra a palavra da Sagrada Escritura que diz para “buscar a paz” e, “em caso de discórdia com qualquer um, fazer as pazes antes do pôr do sol”. Isso nos ajuda a crescer em bondade, além de contribuir para a estabilidade da comunidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 class="rich-list-item"><strong><em><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000; text-decoration: underline;"><span class="number-custom">10 &#8211; </span>VIVA CADA DIA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO</span></span></em></strong></h3>
<p>O santo abade dizia a seus monges para “manter a morte diante de seus olhos diariamente”. Isso nos ajuda a lembrar de nossas prioridades e a focar nos aspectos essenciais.</p>
<p>Os monges também são pessoas, e a natureza humana não muda. A visão de São Bento sobre a humanidade continua valiosa hoje em dia. Espero que essas dicas iluminem e lembrem as maneiras pelas quais podemos ser pessoas mais felizes e melhores, com a ajuda de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fonte: <span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #333333;"><em><a href="https://pt.aleteia.org/2019/07/23/10-dicas-de-sao-bento-para-melhorar-sua-vida-diaria/" style="color: #333333; text-decoration: underline;">10 conselhos de São Bento para melhorar sua vida diária (aleteia.org)</a></em></span></span></p></div>
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		<title>São Bento inventou a soneca?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2021 15:20:26 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><h3 style="text-align: center;"><em><span style="color: #000000;">O santo do século VI deu instruções específicas para seus monges tirarem uma soneca depois do almoço</span></em></h3>
<p>Você já ouviu falar da sesta? É um costume popular nos países de língua espanhola, bem como em outros países ao longo da costa do Mediterrâneo. Após o almoço, as pessoas fazem uma pausa no trabalho e muitas tiram uma soneca, antes de voltarem às suas tarefas diárias.</p>
<p>Curiosamente, a palavra sesta vem da palavra latina<span> </span><em>sext</em>, denotando a “sexta hora” do dia, que normalmente é por volta do meio-dia. A palavra<span> </span><em>sext</em><span> </span>também se refere à oração do meio-dia dos monges, que param o que estão fazendo para rezar no meio do dia.</p>
<div></div>
<p>Essa tradição de oração e um cochilo ao meio-dia pode ter origem em São Bento de Núrsia, um monge do século VI que revolucionou o monasticismo cristão. Ele escreve em sua Regra sobre a necessidade dos monges descansarem após a oração e a refeição do meio-dia.</p>
<blockquote>
<p>E quando eles se levantarem da mesa após a sexta hora, descansem em suas camas em completo silêncio; ou, se por acaso alguém quiser ler, leia, mas de modo a não perturbar mais ninguém.</p>
</blockquote>
<p>Em geral, acredita-se que cochilar era uma parte central da vida greco-romana, mas não foi até São Bento que a soneca se tornou parte oficial de uma “regra”.</p>
<p>Nos últimos anos, os médicos redescobriram os benefícios físicos e mentais da sesta, uma tradição que foi sendo esquecida em muitos países modernos devido à suposta necessidade de maximizar o tempo durante o dia e eliminar momentos em que o trabalho não está sendo realizado.</p>
<div class="nativo-inread"></div>
<p>São Bento sabia por experiência própria que um breve descanso à tarde beneficiaria tanto o corpo quanto a alma e facilitaria para os monges manter seu cronograma rigoroso de trabalho e oração.</p>
<p>Se você estiver em uma situação em que cochilos são possíveis, agradeça a São Bento e aproveite seu descanso do meio-dia, preparando-se para enfrentar as tarefas que ainda restam para o dia.</p></div>
			</div>
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		<title>Um conselho de São Bento para te ajudar a focar no essencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[mosteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 14:06:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Início]]></category>
		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>Muitos sociólogos estão estudando o fenômeno da “aceleração do tempo”, uma experiência importante em nossa sociedade que, muitas vezes, causa um sentimento de asfixia. O bombardeio constante de todos os tipos de demandas e o “excesso de tudo”, na verdade, revelam uma lacuna real a ser preenchida. Se nos envolvermos na espiral diária de responder cada vez mais às coisas que consideramos urgentes (mas que são supérfluas e superficiais) perderemos de vista a essência da nossa vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><em><span style="color: #000000;"><strong>Faça tudo com moderação</strong></span></em></h3>
<p><em><span style="color: #000000;"><strong></strong></span></em></p>
<p>São Bento, o pai da vida monástica no Ocidente, viveu uma Regra que pode ser adaptada à nossa maneira atual de viver. Quinze séculos depois, a sabedoria de São Bento permanece surpreendentemente relevante. Entre seus preceitos, há um conselho surpreendentemente simples de como manter o foco no essencial.</p>
<p>D. Xavier Oerrin, abade na Inglaterra, explica que, em relação a todas as coisas, “o homem precisa de medidas. Ele deve encontrar constantemente um equilíbrio entre excesso e falta”.</p>
<p>São Bento ressalta que somos tentados a seguir apenas uma direção, quando a vida exige um equilíbrio constante de esforços e atividades. Paradoxalmente, podemos até errar ao rezarmos demais, jejuarmos demais ou trabalharmos até a exaustão.</p>
<p>Esta é a razão para este conselho que São Bento transmitiu aos monges: é preciso sempre praticar o equilíbrio entre duas coisas contrárias para permanecer atento ao essencial. No caso dos monges beneditinos, isso significa equilibrar oração e trabalho, silêncio e canto, solidão e vida comum.</p>
<div class="nativo-inread"></div>
<p>Mas como fazer tudo com moderação? São Bento diz que a medida certa não deve ser muito alta (como imitar certos feitos dos Padres do Deserto), nem muito baixa (como o modo de vida com o qual o monasticismo decadente de seu tempo era facilmente satisfeito).</p>
<p>Obviamente, o foco de cada dia, para os monges, é aproximar-se de Deus através da oração. Tudo está organizado em torno dessa prioridade, que leva ao essencial. Se definir prioridades na vida nem sempre é a coisa mais difícil, no entanto, respeitá-las e nos organizar adequadamente é um verdadeiro desafio.</p>
<div id="article-desk-content-p6-ad_2020_07_30_um-conselho-de-sao-bento-para-te-ajudar-a-focar-no-essencial" class="css-y9mcup"></div>
<p>Todos os distúrbios e exigências imprevistas da vida cotidiana dão poder à ditadura do urgente, de ter e fazer. É difícil imaginar não reagir ao e-mail de um cliente importante, por exemplo. Mas, às vezes, tirar um tempo para pensar na resposta pode torná-la muito mais criativa – e, portanto, mais eficaz! Segundo os monges beneditinos, quanto mais importante é a coisa, menos devemos nos apressar com ela.</p>
<p>Embora São Bento estivesse escrevendo para monges, os mesmos princípios se aplicam a todos nós. Como seus monges, nosso objetivo é nos aproximarmos de Deus e amarmos nosso próximo, embora com atividades mais variadas e públicas do que os beneditinos em uma abadia.</p>
<p>O trabalho é importante, mas igualmente importante é passar tempo com a família e reservar tempo para oração e lembrança. Manter-se atualizado sobre notícias e entretenimento só será a “medida certa” se também nos dermos um tempo para refletir sobre o que vimos, lemos e ouvimos, mantendo o que é bom, verdadeiro e bonito, enquanto rejeitamos aquilo que poderia nos desviar.</p>
<p>Evitar os extremos nos mantém literalmente “centralizados”. Isso nos ajuda a lembrar não apenas de “fazer” ou “ter”, mas acima de tudo, de “ser”.  Lembremos dessa sabedoria de São Bento em meio à perturbação de nossas vidas causada pela pandemia de coronavírus. Tomemos esse princípio como parte orientadora do nosso “novo normal”.</p></div>
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		<title>São Bento, homem da PAZ!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[mosteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 13:39:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Início]]></category>
		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>A cada dia em que temos acesso aos meios de comunicação social percebemos, nitidamente, como o mundo vive em contínuo conflito; nosso olhar muitas vezes dirige-se para longe, nos impedido, então, de perceber que a violência está bem mais próxima do que imaginamos: vivemos, portanto, em um mundo onde pululam situações de total ausência de paz, exatamente por que faltam a esse mundo, lugares e momentos de diálogo, necessariamente, construtores da justiça que conduzem a harmonia e a paz. Oxalá as mídias fossem sempre uma verdadeira rede de comunicação, comunhão e cooperação, como desejava o Santo Padre, o Papa Emérito Bento XVI, em sua mensagem para o 40º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Esses meios são também instrumentos para a construção da PAZ, mas nem sempre agem concretamente para que isso, de fato, se efetive.</p>
<p>Nos mosteiros beneditinos encontramos, por tantas vezes, quase sempre à porta, a inscrição PAX, que não quer dizer uma simples ausência de conflitos, pois onde se não os tem, a não ser na vida beatífica; mas a paz beneditina que significar, na realidade, a existência de um espaço, de um tempo, para a escuta, da qual brotará, nomeadamente, o diálogo que, instaurado em Cristo e por Cristo conduzirá à concórdia e, consequentemente, a uma harmoniosa paz. Não é, certamente por acaso, que São Bento, nosso Pai, inicia a sua Santa Regra com o verbo ‘escutar&#8217;, que é, portanto, a primeira atitude de quem quer empreender um enriquecedor e duradouro diálogo.</p>
<p>Em sua Santa Regra, que sem dúvida alguma é, para nós, a verdadeira relíquia que nos legou São Bento, encontramos ao menos sete momentos em que ele faz referência à PAZ.</p>
<p>Nos quatro primeiros momentos ou dessas situações a paz vem apresentada como um estado de espírito, uma atitude, uma meta que se pretende alcançar ei-los:</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Prol. 17:</strong></span> <em>&#8220;Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a PAZ e segue-a&#8221;</em> &#8211; São Bento indica, desse modo, ao citar o Sl 33,14-15, que o caminho que devemos percorrer, por primeiro, é exatamente aquele que se inicia pela atitude de se frenar a língua, ou seja, usar da palavra para o diálogo, para a comunicação, para a compreensão que conduza a harmonia e a paz, evitando que ela seja fonte da discórdia.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">4,73:</span></strong> <em>&#8220;Voltar a PAZ, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença&#8221;</em> &#8211; Essa citação provém da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Efésios 4,26, atestando, assim, claramente, que conflitos, obviamente existirão, mas sempre devemos nos disponibilizar para recomeçar, pois essa deve ser a contínua atitude do verdadeiro discípulo, retomar o caminho, seguindo os preceitos, do quais dantes havia se desviado.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>34,5:</strong></span> <em>&#8220;E, assim, todos os membros da comunidade estarão em PAZ&#8221;</em> &#8211; porque receberão igualmente o necessário, não havendo, desse modo qualquer acepção de pessoas, coisa que, se existe, acaba por gerar, consequentemente, o vício da inveja.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">65,11:</span></strong> <em>&#8220;Por isso achamos conveniente, para a defesa da PAZ e da caridade, que dependa do arbítrio do Abade a organização do seu mosteiro&#8221;</em> &#8211; a organização na comunidade produzirá, na realidade concreta, o espaço e o tempo necessários para que se viva em harmonia, princípio que conduz a verdadeira concórdia e a paz.</p>
<p>Na outras três vezes, São Bento, refere-se a PAZ, na dimensão do ósculo santo, que comumente, hoje veio a ser substituído por outro tipo de cumprimento dentro da celebração do Augustíssimo Sacramento da Eucaristia:</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">4,25:</span> <em>&#8220;Não conceder PAZ simulada&#8221;</em>; <span style="text-decoration: underline;"><strong>53,5</strong></span>: <em>&#8220;Não seja oferecido esse ósculo da PAZ sem que, antes, tenha havido a oração, por causa das ilusões diabólicas&#8221;</em> e <strong><span style="text-decoration: underline;">63,4</span></strong>: <em>&#8220;Portanto, segundo a ordem que ele tiver estabelecido ou que tiverem os irmãos, apresentem-se estes para a PAZ, para a Comunhão, para entoar os salmos, para estar no coro&#8221;</em>. &#8211; retirando qualquer ruído que possa ocultar a verdade, portanto, evitando-se ocorrer uma falha na comunicação, São Bento assinala que a PAZ deve brotar como consequência da sinceridade, da vida de oração, da organização da própria comunidade.</p>
<p>Em sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, celebrado a cada 1º de janeiro, e que teve como tema: &#8220;<em>na Verdade, a Paz</em>&#8220;, Sua Santidade, o Papa Emérito Bento XVI,  asseverou:</p>
<p><em>&#8220;O próprio nome &#8211; Bento &#8211; que escolhi no dia da eleição para a Cátedra de Pedro, pretende indicar o meu convicto empenho a favor da paz. De fato, com ele quis fazer alusão seja ao Santo Patrono da Europa, inspirador de uma civilização pacificadora no Continente inteiro, seja ao Papa Bento XV, que condenou a I Guerra Mundial como um « inútil massacre » empenhando-se para que fossem reconhecidas por todos as razões superiores da paz&#8221;.</em></p>
<p>Que São Bento continue a nos inspirar na construção de uma civilização de PAZ, na busca da unidade, no respeito das diferenças, que sempre nos enriquecem!</p>
<p style="text-align: right;"><em>D. Hugo da Silva Cavalcante, OSB</em></p></div>
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		<title>O que os monges podem ensinar sobre como viver bem em família?</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2021 14:35:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><h2 class="subtitle" style="text-align: center;"><strong><em>Pelo silêncio, os membros de uma família podem se tornar mais sensíveis ao que o coração do outro está dizendo</em></strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Não há dúvidas de que a vida monástica foi um dos principais elementos que forjaram a identidade da Europa e, consequentemente, do Ocidente. Não por acaso, São Bento foi declarado pelo Papa Paulo VI em 1964 o primeiro padroeiro da Europa. Nas últimas décadas, a vida dos monges inspirou inclusive atitudes no mundo corporativo, através de best-sellers como <em>O monge e o executivo</em>, ou serviu de exemplo até mesmo para pessoas não-cristãs, através de autores como o monge beneditino Anselm Grün.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que a vida dos monges teria a ensinar a uma família? Foi para responder a essa pergunta que o <a href="http://www.semprefamilia.com.br/o-que-os-monges-podem-ensinar-sobre-como-viver-bem-em-familia/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Sempre Família</strong></a> entrevistou o abade trapista Bernardo Bonowitz, da Abadia de Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR) – o único mosteiro trapista do Brasil. Os trapistas, ou cistercienses de estrita observância, são conhecidos pela vida em comunidade mergulhada no silêncio – e, por que não, pela excelente cerveja produzida em alguns de seus mosteiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Dom Bernardo nasceu em Nova York em 1949, em uma família judia. Converteu-se à fé católica aos 19 anos e recebeu o batismo precisamente em um mosteiro trapista, mas foi jesuíta por nove anos antes de ingressar na vida monástica. Tornou-se prior do mosteiro brasileiro em 1996 e seu abade em 2008, quando a comunidade foi elevada à categoria de abadia. Conversamos com ele durante o VI Encontro de Escolas Católicas, promovido pela Editora Positivo em abril, em Curitiba.</p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration: underline;"><strong>Como uma espiritualidade desenvolvida por celibatários pode contribuir com a vida do casal e da família?</strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Nós, monges, nos consideramos um tipo de família. Vivemos em grande proximidade, 24h por dia. Então, acho que temos, de alguma maneira, o mesmo trabalho de qualquer comunidade cristã, seja uma família ou uma comunidade religiosa: aprender a viver o Evangelho de forma interpessoal. Isso significa o perdão, a responsabilidade, o pensar no outro, o edificar o outro, a paciência e, quando é preciso, a exigência. Assim como os pais são formativos para os seus filhos, no mosteiro – isso dizem as nossas constituições – a comunidade é a principal formadora, ainda mais do que o abade. Então, somos uma comunidade de formação cristã. Nesse sentido, acho que a intensidade da nossa convivência e o fato de termos laços essencialmente espirituais – não de sangue nem de relação sexual – nos força a aprender como tornar o Evangelho algo vivido. Assim, acho que o que aprendemos no mosteiro pode ser útil para uma família cristã.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="nativo-inread"></div>
<ul>
<li><span style="text-decoration: underline;"><strong>O modo como os monges vivem, o diálogo e o silêncio tem algo a ensinar para a convivência em família?</strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Acho que sim. O silêncio, por sua natureza, é lugar de escuta. Não só de escuta de Deus – embora essa seja a meta principal – mas de escuta do coração e das necessidades do outro. Pelo silêncio, então, os membros de uma família podem se tornar mais sensíveis àquilo que o coração do outro está dizendo, porque as palavras têm um alcance bastante limitado. Eu lembro que, quando voltava da escola, minha mãe apenas olhava para mim e dizia: “O que aconteceu?” É uma intuição, mas que precisa de silêncio para desenvolver-se.</p>
<div id="article-desk-content-p6-ad_2018_04_23_o-que-os-monges-podem-ensinar-sobre-como-viver-bem-em-familia" class="css-y9mcup"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Muitas famílias têm problemas de convivência em seu interior, como uma certa indiferença ou frieza que surge com o passar do tempo. E isso ocorre com pessoas que escolheram viver uma com a outra, diferentemente de vocês, que optaram por viver com pessoas que não conheciam. Mesmo assim, quem visita o mosteiro de vocês nota a comunhão e a ternura profunda entre os monges. Como vocês fazem para viver assim?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, é preciso uma forma de oração diária em comum. Antigamente, em muitas famílias, o pai lia um texto bíblico aos familiares reunidos antes do jantar. Acho que isso criava um laço forte entre os membros. Nós, monges, cultivamos uma prática de pedir perdão quando pecamos contra o outro. Cassiano, um monge do século V, diz que não há nada pior do que uma ira fria, e o mesmo diz a Regra de São Bento, sobre a desavença sem resolução. São Bento insiste que haja a reconciliação antes do pôr-do-sol. Isso garante que antigas hostilidades não se somem umas às outras. Há algo que não sei se toda comunidade trapista faz, mas a nossa faz uma vez por semana, que é o diálogo comunitário. Isso nos oferece uma oportunidade de exprimir nossos sentimentos e questionamentos, tanto sobre coisas mais concretas da semana quanto sobre coisas mais gerais da vida. Nesse sentido, a fala ajuda. Por fim, o valor supremo para nós é o amor a Deus e o Evangelho deixa claro que isso não significa nada sem um amor ativo para com os nossos próximos. Os outros monges são os nossos próximos e em uma família são os outros membros. Não deixar a caridade esfriar é crucial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration: underline;"><strong>A fé em Deus e a sua vivência são um pressuposto para os familiares viverem em comunhão uns com os outros?</strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Creio que pessoas humanas não têm condições por si mesmas de manter vitaliciamente uma relação e nela crescer. Eu me pergunto como um pai enfrenta uma decisão profissional, vocacional, de um filho que contradiga frontalmente suas esperanças. Acho que é preciso uma força maior do que o afeto humano. Ou o marido e a mulher: depois de cruzar o Mar Vermelho e casar-se, como suportar o deserto por quarenta anos? Paixão, romance e coisas assim não se aprofundam sozinhos, de maneira a apoiar a relação. Acho que a fé em Deus é o fundamento das relações humanas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(<em>Por:<span> </span><span style="color: #e02b20;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.semprefamilia.com.br/o-que-os-monges-podem-ensinar-sobre-como-viver-bem-em-familia/" target="_blank" rel="noopener" style="color: #e02b20; text-decoration: underline;">Sempre Família</a></span></strong></span></em>)</p></div>
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		<title>A Quaresma Espiritual Beneditina</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2021 21:03:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Início]]></category>
		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Monástica]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><div style="text-align: justify;">Muito frequentemente, no meio monástico-beneditino, ouve-se a sentença inicial do capítulo 49 da Regra de São Bento: <em>“Se bem que a vida do monge deva ser, em todo tempo, uma observância de Quaresma”</em>. Em alguns casos, algum monge privado de algo por ele desejado, diz à guisa de brincadeira: <em>“Pois é… São Bento diz que a vida do monge é uma eterna Quaresma”</em>, querendo expressar que a vida do monge deva ser de sofrimento e privações “desnecessárias”. Esse modo livre de citar a Regra que nos faz rir tantas vezes, na verdade, esconde um grave erro de compreensão do espírito de São Bento e vai próprio no sentido oposto daquele ao qual a RB deseja nos conduzir.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Por isso, digamos logo qual é o escopo do capitulo 49 da RB: conduzir-nos à Ressurreição do Senhor. <em>“Viver, em todo tempo, uma observância da Quaresma”</em> quer dizer viver vigilante, esperançoso e alegre na expectativa da Páscoa. São Bento não pretende que a vida do monge se transforme em um regime austero e de mortificações extraordinárias sem fim. Ele mesmo declara que na <em>“escola do serviço do senhor (…) esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado”</em> (RB Prol 45-46). A Páscoa é o centro de todo o Código Beneditino. A Páscoa regula e ordena a vida interior e exterior da Comunidade.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Os versículos 1-3 de RB 49 dizem respeito à vivência habitual do monge. A Quaresma é o tempo privilegiado para viver com maior intensidade e solicitude aquilo que já faz parte da nossa fidelidade diária. Além disso, a Quaresma não é de nenhum modo a finalidade da vida monástica.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Normalmente, a opinião comum não vê na Quaresma nada além do que simples prescrições sobre o comer e o beber; alguns mais piedosos pensam ainda nas obras de misericórdia e na oração. Obviamente, a concepção beneditina de Quaresma é muito mais ampla do que prescrições relativas ao nosso estômago.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Dom Paul Delatte, Abade de Solesmes, escreve:<em> “Il (Saint Benoît) parle du carême spirituel, conciliable avec tous les horaires, avec tous les états de santé, supérieur de beaucoup au carême matériel, lequel n’est qu’un procédé qui nous aide à realiser l’autre”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Tal Quaresma espiritual segundo RB 49, comporta dois elementos: o positivo que exorta os monges a guardarem a vida deles <em>“com toda a pureza”</em> (v. 2); e um negativo que consiste em apagar “todas as negligências” (v. 3). Trata-se, antes de tudo, de eliminar tudo o que nos afasta de Deus, quer dizer, o pecado e tudo o que seja imperfeito ou contrário à vontade do Senhor. Ele mesmo conhece a fragilidade humana, o pecado de cada um, e é d’Ele que vem a força para cada bom propósito da alma humana: <em>“O Deus, que conheceis a fragilidade da natureza humana, ferida pelo pecado, concedeis ao vosso povo empreender com a força da vossa palavra o caminho quaresmal, para vencer as seduções do Maligno e chegar à Páscoa na alegria do Espírito”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Não se pode negar o espírito penitencial da Quaresma e os meios indicados pela Santa Igreja para abandonar o pecado e buscar a pureza de coração: a oração, o jejum e a caridade, sobretudo através da ajuda aos pobres. São Bento continua o capítulo 49 dando alguns exemplos de como o monge poderá alcançar a pureza de coração: <em>“E isso será feito dignamente, se nos preservarmos de todos os vícios e nos entregamos à oração com lágrimas, à leitura, à compunção do coração e à abstinência”</em> (v. 4). Mas aderir a Deus com toda a nossa alma e vontade, buscar a Deus sem cessar através dos meios possíveis, é a vocação própria do monge. Mas São Bento conhece o homem e distingue o ideal da prática. <em>Paucorum est ista virtus</em> – esta força é de poucos (v. 2), escreve. Nem sempre cumprimos bem ou cumprimos integralmente nossos propósitos e nosso ideal. A Quaresma apresenta-se, então, como uma excelente ocasião para reparar as nossas negligências de outros tempos (cf. v. 3). <em>Omni puritate vitam suam custodire</em> – guardar com toda a pureza a própria vida (v. 2): significa a pureza no sentido profundo que exige um coração livre das coisas do mundo e sempre vigilante na sua relação com Deus (cf. CASSIANO, Ist. 12, 15, 1-2; Conf. 21, 36, 1; 23, 19, 2-3). Em resumo, com a fidelidade de hoje, apagamos as faltas cometidas antigamente.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Seguindo a tradição eclesial, São Bento sugere os meios de nossa santificação durante esse Tempo (v. 4). Antes de tudo, fala da <em>“oração com lágrimas”</em> o que nos lembra o capítulo 20 da RB. A característica de tal oração é a pureza de coração acompanhada da compunção das lágrimas (RB 20, 3). Além disso, nossa oração deve ser breve e pura (RB 20, 4), como convém a um verdadeiro cristão, e não como o fariseu do Evangelho que faz um auto elogio de sua pressuposta pureza e justiça. A pureza de coração, inspirada pelo amor a Deus e pela vivência dos seus mandamentos, vem acompanhada de lágrimas, não propriamente lágrimas exteriores (embora possam ocorrer), mas de uma verdadeira confissão a Deus. As lágrimas exprimem a intimidade, a ternura, a alegria de um coração puro e confiante. Também no capítulo 52, São Bento retoma o tema da oração <em>“com lágrimas e pureza de coração”</em> (RB 52, 4). “<em>Ainsi donc, en Carême, l’oraison privée sera plus fréquente et plus fervente; l’oraison officielle, le service divin sera mieux préparé et célébré avec plus de soin. Nous nous appliquerons spécialement aussi à l’étude des choses divines, lectioni, et c’est pourquoi le chapitre précédent nous parlait des livres de carême”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">É interessante notar a ligação entre oração e leitura, como já vem expresso nos instrumentos do capítulo 4, 55-57:a palavra “escutada” na leitura desperta a compunção que gera a conversão do coração.</div>
<div style="text-align: justify;">A vocação monástica por si só tem suas exigências diárias e perpétuas. O que São Bento espera de seus monges é que acrescentem alguma coisa aos exercícios espirituais que devem ser constantes na Comunidade: <em>“Acrescentemos, portanto, nesses dias, alguma coisa ao encargo habitual da nossa servidão”</em> (v. 5). E apresenta uma segunda lista de sugestões que ilustram o que quer expressar: “orações especiais, abstinência de comida e bebida” (v. 5). É de notar que São Bento abandona as práticas ascéticas extraordinárias, grandes jejuns, grandes orações e mortificações. Apenas acrescenta um pouco mais de disciplina no habitual da vida monástica. E segue uma terceira lista de exemplos: <em>“… subtraia ao seu corpo algo da comida, da bebida, do sono, da conversa, da escurrilidade…”</em> (v. 7). A discrição de São Bento está presente até mesmo no Tempo de Quaresma. Eis o verdadeiro sentido de qualquer penitência durante a Quaresma ou fora dela: buscar conformar nossa vida à vida de Cristo.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">A mortificação é boa como meio e como procedimento, não como fim. Os exercícios espirituais nos ajudam a atingir o nosso objetivo. Porém, as mortificações não são “essencialmente” um bem, e devem sempre ser praticadas com muita discrição e sabedoria em vista de um bem maior. De fato, tais práticas devem nos conduzir à aquisição ou ao progresso no bem essencial, como, por exemplo, a misericórdia, a paciência, a justiça, a caridade e tantas outras virtudes . Convém dizer que, tantas vezes, corremos o risco de esquecer a tradição que os nossos Pais nos transmitiram, e até mesmo de esquecer o modesto e equilibrado exercício que nos deixou São Bento.</div>
<div style="text-align: justify;">Sem dúvida, o núcleo de RB 49 é o versículo 6:</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><em>“Assim, ofereça cada um a Deus, de espontânea vontade, com a alegria do Espírito Santo, alguma coisa além da medida estabelecida para si”.</em></div>
<div style="text-align: justify;">São Bento, seguindo a tradição dos Pais, não admite no mosteiro a <em>“vontade própria”</em>. Em todo momento, procura extirpar esse mal (cf. Prol 3; 1, 11; 3, 8; 4, 60.71; 5, 13; 7, 12.19.21.31; 33, 4). RB 49, 6 é o único lugar de toda a Regra onde São Bento admite a vontade própria porque confia na generosidade de cada um. Nós que recebemos tanto dos benefícios do Senhor, somos capazes de oferecer alguma coisa também a Deus. E não poderia ser diferente. Uma oferta por definição é algo de espontâneo. Uma vez obrigada, deixa de ser oferta.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Cada um escolherá, segundo julga sua própria consciência e sua vontade. E tal escolha será feita na “alegria do Espírito Santo” (v. 6). Assim, fortalecido pela oração pura e sincera, pelas santas leituras (lectio), ajudado pela disciplina corporal, vigilante e feliz, o monge <em>“espera a Santa Páscoa, na alegria do desejo espiritual”</em> (cf. v. 7). Por duas vezes, a palavra “<em>gaudio</em>” aparece em um capítulo tão curto. Que a vida do monge deveria ser, em todo tempo, uma observância da Quaresma é verdade pois deveria sempre alegrar-se com a vitória segura e já conseguida por Cristo, porque deveria ter sempre a alegria de Jesus ressuscitado, andar sempre na luz de Cristo.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">A própria Escritura nos desperta do nosso sono (desânimo, depressão, desencorajamento, frustrações que tornam o nosso coração endurecido) para ouvirmos a Boa Nova (cf. Prol 8-13). Não são as trevas que nos envolvem nos dias de Quaresma, mas a doce voz do Senhor que se apresenta a nós e nos convida para a verdadeira vida (cf. Prol 14-20). Ele, antes que o invoquemos, já nos responde: <em>“Eis-me aqui”</em> (Prol 18). O nosso caminho quaresmal não é um caminho solitário, como se fôssemos abandonados por Deus. Não seríamos capazes de realizar tal caminho se não fôssemos acompanhados pelo Senhor <em>“que pela sua piedade nos mostra o caminho da vida”</em> (cf. Prol 20). É claro que caminhos também para a Cruz, mas já sabemos de antemão que doravante não é mais sinal de sofrimento, mas de amor e de vitória. Quanto às dificuldades da vida, cada um conhece bem as próprias cruzes de cada dia. Mas o caminho quaresmal não diz respeito a isso.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Durante todo o ano temos tantos problemas físicos, espirituais, financeiros, etc. A diferença está entre alguém que passa por uma dificuldade “sozinha”, quer dizer, que não confia em Deus e muitas vezes, não confia em ninguém além de si mesma. Não há meio de ajudar-se e não permite a ajuda dos outros. Outra pessoa, ao contrário, confia em Deus e deixa-se ajudar pelos anjos que Ele envia, seja através de uma ajuda espiritual, seja através de outras pessoas que fazem as vezes dos anjos. Como escreve Dom Delatte: <em>“Quand il y a souffrance physique ou dépression morale, l’ennemi n’est jamais loin; le Seigneur non plus, par bonheur, ni ses anges”</em> . Assim cantamos no “gradual” do I Domingo da Quaresma: <em>“Angelis suis mandavit de te, ut custodiant te in omnibus viis tuis”</em> (Salmo 90, 11). Desde o início, a Igreja nos confia à proteção e aos cuidados dos santos anjos.</div>
<div style="text-align: justify;">A esse ponto alguém poderia por a questão: <em>“Mas São Bento não limita a generosidade ou a própria vontade de seus monges submetendo a escolha de cada um à vontade do Abade?”</em></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Ora, o bem da obediência intervém nesse caso para garantir a discrição nos possíveis abusos. São Bento quer que tudo o que seja oferecido seja feito com a permissão, com a oração e a vontade do Abade (cf. RB 49, 8-10). O Pai espiritual do mosteiro deve dirigir a oferta de cada um de maneira que seja fecunda. No mosteiro, outro grave risco que São Bento procura extirpar é o da presunção. Alguém poderia impor-se pesadas mortificações e pesadas renúncias não inspirado pela pureza de coração, mas pela arrogância, pelo desejo de parecer melhor do que os outros, ou mais santo. De outro lado, alguém poderia impor-se o mínimo, demonstrando preguiça e negligência com as coisas divinas, vazio de toda “alegria espiritual” e desprovido de toda “alegria do Espírito”. Assim, o Abade tem o dever de regular as sugestões de seus monges para que sejam verdadeiramente fecundas. O Abade, por sua vez, deve lembrar-se sempre de que ele também está sujeito à Regra , e não só isso, mas lembrar-se de que faz as vezes de Cristo na direção da Comunidade.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><em>“E na alegria do desejo espiritual, espere a Santa Páscoa”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Trata-se da alegria de um desejo espiritual e não somente das observâncias exteriores. São Bento havia já acenado no capítulo 4, 46 o fim do nosso bom desejo: <em>“Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual”</em>. Esse desejo aqui é dirigido à Páscoa que é o Ressuscitado. Em resumo, RB 49 quer nos preparar para o encontro feliz e festivo com Deus. O Santo Padre recordou que <em>“enquanto espera o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade operosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para conseguir com maior abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Tal vida em Cristo já nos é dada através do nosso Batismo: mortos e ressuscitados com Cristo, seguimos ao Senhor nessa vida na certeza de participarmos também da vida Eterna que só Ele é capaz de nos dar. Diz o Santo Padre que <em>“um nexo particular liga o Batismo à Quaresma como um momento favorável para experimentar a Graça que salva. (…) Desde sempre, de fato, a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Batismo: nesse sacramento se realiza aquele grande mistério pelo qual o homem morre ao pecado, se faz participante da vida nova de Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11)”</em> . Rezemos com o Santo Padre suplicando ao Senhor que <em>“o nosso caminho quaresmal possa inspirar-nos a firme vontade de conformar a nossa vida a Cristo, de modo que celebrando o mistério da Páscoa seremos sepultados com Cristo e ressurgiremos para a plenitude da vida”</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Que o Senhor nos ajude na nossa generosidade e que todo o nosso empenho seja sugerido pelo Espírito Santo e executado com alegria, docilidade e mansidão.</div>
<div><span></span></div>
<div style="text-align: right;"><em>Adriano BELLINI OSB, monge da Abadia de Nossa Senhora da Assunção, São Paulo – Brasil</em></div></div>
			</div>
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		<title>Na justa medida. São Bento e a Regra à mesa</title>
		<link>https://www.mosteirodavirgem.com.br/na-justa-medida-sao-bento-e-a-regra-a-mesa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[mosteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Feb 2021 17:53:11 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Regra de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[São Bento]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>Imaginem: depois da oração da hora média, ou à tardinha, depois das vésperas, ao som da sineta os monges colocam cogulas e mantos no átrio ao lado do lavabo. Em absoluto silêncio, eles se organizaram em ordem atrás do abade, para entrar no refeitório para o almoço ou jantar.</p>
<p>O texto é de<span> </span><strong>Giustino Farnedi</strong>, abade da Ordem de São Bento, publicado por<span> </span><strong>L&#8217;Osservatore Romano</strong>, 11-07-2019. A tradução é de<span> </span><strong>Luisa Rabolini</strong>. </p>
<p>Em pé em frente à mesa eles rezam juntos; depois cada um se acomoda em seu lugar e desdobram os guardanapos. O silêncio reina. Com um toque da sineta, o abade dá o sinal: um monge começa a servir os alimentos cuidadosamente preparados na cozinha; o encarregado da semana lê uma passagem da Bíblia e outros textos edificantes em voz alta, enquanto todos começam a comer. Essa<span> </span><strong>cerimônia de acesso ao refeitório e à refeição</strong><span> </span>já se repete há séculos nas grandes<span> </span><strong>abadias beneditinas</strong>, assim como nos pequenos mosteiros, segundo as normas estabelecidas por<span> </span><a href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/580679-diante-de-um-mundo-em-caos-o-que-faria-sao-bento" target="_blank" rel="noopener noreferrer">São Bento</a><span> </span>em seu<span> </span><em>Regula</em>. Composta depois de 529 para a nascente<strong><span> </span>comunidade monástica de Monte Cassino</strong>, a<span> </span><strong>Regra</strong><span> </span>contém as normas que governam todos os aspectos da vida espiritual e material do monge e de toda a comunidade para chegar à união perfeita com Deus. Na Regra, composta por setenta e três capítulos precedidos de um prólogo,<span> </span><strong>São Bento</strong><span> </span>define os valores essenciais da<span> </span><a href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/577937-irmao-jihad-em-mar-musa-esta-sendo-retomada-a-vida-monastica-de-oracao-e-trabalho" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vida monástica</a>: o código litúrgico, a discrição e a moderação, o papel da comunidade e do abade, a importância do trabalho, a compaixão e a compreensão pelas fraquezas humanas, o sentido de ordem e da disciplina, a harmonia entre lei e liberdade, entre indivíduo e comunidade.</p>
<p>Pelo equilíbrio que caracteriza os preceitos de<span> </span><strong>São Bento</strong>, a sua Regra teve um impacto considerável em nossa história e em nossa cultura, como podemos ver ainda hoje. Os<span> </span><strong>beneditinos</strong><span> </span>foram, de fato, os artífices das grandes obras de melhoria e de urbanização que ao longo do tempo moldaram de maneira característica a nossa paisagem; em suas bibliotecas, conservaram as grandes obras da cultura clássica e garantiram sua transmissão; enriqueceram suas igrejas e monastérios com obras de arte que ainda hoje admiramos como parte essencial de nosso patrimônio cultural.</p>
<p>Os capítulos centrais da<span> </span><strong>Regra</strong>, de 38 a 41, são dedicados à<span> </span><strong>alimentação dos monges</strong><span> </span>e às normas alimentares que devem ser escrupulosamente seguidas por toda a comunidade: a leitura no refeitório e o silêncio à mesa, a medida da comida e da bebida, os horários das refeições, os dias de jejum e abstinência. Esse aspecto da<span> </span><strong>vida monástica</strong><span> </span>é ilustrado no recente volume de<span> </span><strong>Nadia Togni</strong>,<span> </span><strong><em>Monaci a tavola. La Regola di san Benedetto e le consuetudini alimentari</em></strong>. [Monges à mesa. A Regra de São Bento e os hábitos alimentares, em tradução livre] (Todi, Tau editrice, 2018, p. 234, euro 9). Apresenta-se como um volume de leitura ágil e fluente, que nos introduz ao conhecimento dos<span> </span><strong>preceitos alimentares definidos por São Bento</strong><span> </span>e desde então adotados pelos monges até os dias atuais, com os necessários ajustes para adaptá-los progressivamente às exigências do homem e da sociedade ocidental. Nascida em<span> </span><strong>Perugia</strong><span> </span>e atualmente professora na Faculdade de Teologia da Universidade de Genebra,<span> </span><strong>Nadia Togni</strong><span> </span>tem uma longa associação com o mundo monástico; por seu papel como conselheira do centro histórico beneditino italiano, conhece bem a<span> </span><strong>abadia de San Pietro em Perugia</strong>, mas também<span> </span><strong>Santa Maria del Monte</strong><span> </span>em<span> </span><strong>Cesena</strong>,<strong><span> </span>Santa Giustina</strong><span> </span>em<span> </span><strong>Pádua</strong>,<span> </span><strong>Santa Maria de Rosano</strong><span> </span>em<span> </span><strong>Florença</strong>,<span> </span><strong>San Pietro de Montefiascone</strong>. Assim pôde reunir várias experiências monásticas e contatar algumas comunidades que abriram a ela as portas da clausura. Na obra, a narração é intercalada com trechos de um longo diálogo entre<span> </span><strong>Nadia Togni</strong><span> </span>e quem escreve; a autora assim conseguiu reevocar personagens ilustres e narrar episódios relacionados à dieta monástica em alguns dos mais famosos e antigos<span> </span><a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507312-na-paz-do-mosteiro-de-bose-artigo-de-carlo-petrini" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mosteiros italianos</a>. Nossa conversa se realiza no antigo e prestigioso arquivo histórico da abadia de<strong><span> </span>San Pietro em Perugia</strong>, um lugar onde passado e presente se encontram, cercados pelas antigas estantes onde são conservados diplomas de papas e imperadores, decretos de bispos e abades, documentos relativo à economia e à organização administrativa do mosteiro, mas também registros e documentos que nos falam sobre a vida cotidiana dos monges e, portanto, também sobre sua alimentação.</p>
<p>Desde o início, no interior do<span> </span><strong>mosteiro</strong>, o<span> </span><strong>ato de se alimentar</strong><span> </span>desenrola-se de acordo com gestos e comportamentos bem definidos, repetidos segundo uma ordem pré-estabelecida e que, por isso, constituem um verdadeiro ritual. O acesso à mesa insere-se assim naquele movimento contínuo e circular, próprio da vida monástica, que o cardeal<span> </span><strong>Ildefonso Schuster</strong><span> </span>(1880-1954), monge e abade de<span> </span><strong>São Paulo Fora dos Muros</strong><span> </span>e depois arcebispo de<span> </span><strong>Milão</strong>, define como &#8220;processional&#8221;: do dormitório ao coro da igreja, dali para o salão do capítulo e depois para o refeitório<em><span> </span>sive prandium sive coena</em>, ou seja, &#8220;para o almoço ou o jantar&#8221;. É um movimento comunitário, que envolve o abade e todos os monges, até o último dos irmãos, de acordo com a sucessão das horas do dia. Na<span> </span><strong>vida monástica</strong>, a refeição é sempre uma ação comunitária que faz parte da<span> </span><strong>experiência contemplativa do monge</strong>. A ritualidade segundo a qual se realiza, progressivamente fixada ao longo dos séculos, a torna um verdadeiro ato litúrgico, que recorda a aproximação do fiel à mesa eucarística. No refeitório, após a oração inicial, a distribuição dos alimentos acontece ao sinal do abade; no mesmo momento, o<span> </span><em>lector hebdomadarius</em><span> </span>começa a leitura em voz alta, enquanto os monges ouvem no mais absoluto silêncio. À mesa são lidos alguns versículos da Bíblia, seguidos de passagens de obras espirituais, históricas e edificantes, de modo que, enquanto o corpo é alimentado, o espírito também pode ser nutrido. Graças à leitura e à escuta cotidianas, eu mesmo pude aprender sobre a vida dos santos e as obras monumentais da história da Igreja, das quais era possível ler cerca de dois volumes por ano.</p>
<p>Reservado para um dos momentos privilegiados da<span> </span><strong>vida comunitária</strong>, o<span> </span><strong>refeitório</strong><span> </span>é considerado um espaço sagrado dentro do mosteiro, igual à igreja, ao oratório e à sala capitular. Por essa razão, nos mosteiros monumentais é frequentemente uma verdadeira obra de arte arquitetônica, como na<span> </span><strong>abadia de Monte Cassino</strong>, ou na<span> </span><strong>abadia cisterciense de Casamari</strong>, ou em<span> </span><strong>Praglia</strong><span> </span>onde, entre os muitos lemas esculpidos nos assentos de madeira, também pode ser lido<span> </span><em>Sero venientibus ossa</em>, ou seja, &#8220;Para os retardatários, só os ossos&#8221;, ou<span> </span><em>Ne quid nimis</em>, ou seja, &#8220;Apenas o necessário&#8221;. A justa medida e a discrição são o princípio ao qual o monge deve constantemente se inspirar durante a alimentação, como em todos os outros aspectos da vida monástica. Se, de fato, o alimento é essencial para a própria sobrevivência do homem, o<span> </span><strong>ato de se alimentar</strong><span> </span>não deve causar excessos e comportamento desregrados, que comprometem tanto o equilíbrio físico quanto espiritual do monge, dificultando sua aspiração de se elevar além da materialidade das coisas.</p>
<p>Na<span> </span><strong>Regra</strong>, a discrição é indicada com o termo de mensura que, em suas várias declinações, é usado quinze vezes e no capítulo XLVIII.<span> </span><strong>São Bento</strong><span> </span>recomenda:<em><span> </span>Omnia tamen mensurate fiant</em>, que é “tudo se faça comedidamente”. E isso não apenas à mesa, mas em cada ato individual e comunitário da vida monástica. Na organização da comunidade, a justa medida é, de fato, o critério que comanda a distribuição dos tempos de oração durante o dia e ao longo da semana, a alternância de trabalho e do descanso, do estudo e do lazer. Animado por um grande espírito prático,<span> </span><strong>São Bento</strong><span> </span>não deixa de prescrever também as regras práticas da organização da refeição, fornecendo indicações sobre os tipos de alimentos adequados ao monge e, sobretudo, sobre a quantidade de pratos e bebidas. Recomenda, por exemplo, comer uma vez por dia no inverno e duas vezes no verão, quando o calor e os trabalhos duros do campo exigem maior esforço físico; prescreve limitar o uso da carne, reservada especialmente para os doentes; permite consumir até uma libra de pão por dia &#8211; cerca de 700 gramas &#8211; distribuindo-o entre o almoço e o jantar. A<strong><span> </span>dieta do monge</strong><span> </span>era completada pela<span> </span><em>pulmentaria cocta</em>, uma espécie de sopa rústica de trigo, cevada, espelta ou pão acompanhados de carne, peixe, queijo ou legumes: um prato completo com carboidratos, proteínas e fibras.<br />Para a bebida,<span> </span><strong>São Bento</strong><span> </span>exorta o monge a moderar o uso do vinho, desde sempre alimento característico da<span> </span><a href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/580836-a-dieta-mediterranea-esta-perdendo-a-batalha-para-a-junk-food" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dieta mediterrânea</a>. Apesar de ser um revigorante cujo uso pode ajudar a se recompor da fadiga e do calor, o vinho pode facilmente levar à embriaguez; por esta razão, São Bento sugere uma quantidade diária razoável que ele estima em uma<span> </span><em>emina</em>, ou seja, cerca de um quarto de litro.</p>
<p><strong><em>Monaci a tavola</em></strong><span> </span>investiga a grande contribuição que o<span> </span><strong>monasticismo beneditino</strong><span> </span>ofereceu no âmbito<span> </span><strong>alimentar</strong><span> </span>à cultura ocidental, influenciando ao longo dos séculos as tradições e hábitos que ainda seguimos à mesa. Alguns dos produtos que são o símbolo da<span> </span><strong>tradição gastronômica italiana</strong><span> </span>foram originalmente elaborados em<span> </span><strong>cozinhas monásticas</strong>. Por exemplo, o ancestral do queijo parmesão é mencionado pela primeira vez em um documento datado de 1159 da<span> </span><strong>abadia de Santa Maria de Marola</strong>, na província de<span> </span><strong>Reggio Emilia</strong>. De fato, foram os beneditinos que introduziram no<span> </span><strong>Vale do Pó</strong><span> </span>e em larga escala a criação de ovinos e bovinos, o que deu origem à florescente indústria de laticínios que ainda hoje constitui uma das atividades produtivas mais importantes dessa região, bem como orgulho da culinária italiano a nível internacional. Na área de<span> </span><strong>Vercelli</strong>, os cistercienses de<strong><span> </span>Santa Maria de Lucedio</strong><span> </span>contribuíram para a expansão do cultivo do arroz, organizando a atividade agrícola em torno de centros de produção dependentes da abadia, que constituem os precursores das modernas fazendas agrícolas. Em outros países, deve-se aos monges a elaboração de produtos vitivinícolos, que ainda hoje enriquecem a nossa mesa. A cerveja feita com a adição de lúpulo, como a conhecemos hoje, teria sido preparada nas adegas monásticas, como nos lembra a famosa abadessa<span> </span><a href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/580681-santa-hildegarda-de-bingen-como-uma-freira-de-800-anos-atras-ainda-nos-fornece-o-balsamo-de-cura" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hildegarda de Bingen</a>, proclamada<span> </span><strong>doutora da Igreja</strong><span> </span>em 2012 por<span> </span><strong>Bento XVI</strong>. A p<strong>rodução de cerveja e de queijo</strong><span> </span>ainda hoje é uma das principais atividades artesanais de inúmeras<span> </span><strong>abadias na Bélgica</strong>, no norte da<span> </span><strong>França</strong><span> </span>e na<span> </span><strong>Alemanha</strong>, como em<span> </span><strong>Maredsous</strong>,<span> </span><strong>Orval</strong>,<span> </span><strong>Westmalle</strong><span> </span>e<span> </span><strong>Andechs</strong>. Há alguns anos a cerveja também está sendo produzida em algumas abadias italianas: famosa é, por exemplo, a cerveja aromatizada com eucalipto dos trapistas das<span> </span><strong>Tre Fontane</strong>, em Roma.</p>
<p>Até mesmo a<span> </span><strong>produção de mel</strong><span> </span>tem uma longa tradição dentro dos muros monásticos desde os primeiros séculos da era cristã, quando a Igreja impôs a obrigação de usar a puríssima cera de abelha para as velas do altar. O processamento de mel e dos produtos da colmeia é uma das atividades artesanais dos monges de<span> </span><strong>Finalpia</strong>, de<span> </span><strong>Praglia</strong><span> </span>e dos olivetanos de<span> </span><strong>Seregno</strong>. As atividades agrícolas e a transformação de produtos alimentícios dentro dos muros monásticos são representadas com grande exuberância em algumas miniaturas medievais famosas, como aquelas no manuscrito do<span> </span><strong>Comentário ao Livro de Jó</strong><span> </span>de<strong><span> </span>São Gregório Magno</strong>, realizado na famosa<span> </span><strong>Abadia de Citeaux</strong><span> </span>por volta de 1100, e agora mantido na biblioteca municipal de<span> </span><strong>Dijon</strong>; a obra é adornada com uma série de iniciais decoradas com cenas típicas da vida camponesa: um monge derruba uma grande árvore ajudado por um coirmão que aparece entre os ramos, um monge com a túnica remendada corta trigo, outro amarra os feixes de trigo enquanto outro corta lenha para a lareira e o monge da vinha recolhe os cachos maduros.</p>
<p>Os primeiros remédios curativos a base de ervas e elementos naturais também foram processados dentro das<span> </span><strong>cozinhas monásticas</strong>: pomadas, bálsamos, unguentos, cremes e destilados, que ainda são produtos artesanais. Para o processamento de ervas medicinais cultivadas no jardim do mosteiro que será chamado de &#8220;Jardim dos simples&#8221;, foram montados almofarizes, mós, balanças e alambiques. Em seu antigo boticário, as<span> </span><strong>monjas camaldolesas de Pratovecchio</strong>, na província de<span> </span><strong>Arezzo</strong>, ainda conservam um monumental alambique de pedra do século XII, com vinte e dois bicos.</p>
<p>Mel, biscoitos, geleias, licores, destilados, cerveja, queijos e outros produtos ainda são artesanais e muitas vezes são vendidos aos visitantes. Perto das cozinhas, muitas vezes de dimensões monumentais como a de<span> </span><strong>Vallombrosa</strong>, eram construídos locais específicos para o armazenamento dos alimentos. No arquivo histórico de<span> </span><strong>San Pietro em Perugia</strong>, existe um pequeno e belíssimo registro do século XVII, onde, ao lado das notas de despesas, estão representadas as<span> </span><strong>fábricas monásticas</strong><span> </span>reestruturadas pelos monges; de grande interesse são os desenhos do viveiro, onde o peixe vivo era mantido para os dias de abstinência, a adega com grandes barris e a neveira, na qual a neve era armazenada para preservar alimentos perecíveis. Em<span> </span><strong>San Pietro</strong>, ainda é possível admirar a monumental neveira do século XVII, construída segundo o modelo das antigas tumbas etruscas. Em<span> </span><strong>Vallombrosa</strong>, onde no inverno as temperaturas são muito baixas, o gelo era produzido tanto para a sala de refrigeração do mosteiro como para ser vendido a nobres florentinos. Em<span> </span><strong>Santa Maria del Monte</strong>, em<span> </span><strong>Cesena</strong>, ainda estão em uso as adegas medievais, onde as mais deliciosas safras de<strong><span> </span>Albana doce</strong><span> </span>e<span> </span><strong>Sangiovese</strong><span> </span>são armazenadas; em<span> </span><strong>Monte Oliveto Maggiore</strong>, a<span> </span><strong>adega do século XIV</strong><span> </span>está em funcionamento e é o coração da moderna fazenda agrícola da abadia.</p>
<p>Esse livreto ainda nos conta sobre muitas<span> </span><strong>tradições e hábitos alimentares nos mosteiros</strong>. Os<strong><span> </span>beneditinos de Santa Maria de Rosano</strong>, que ainda hoje celebram o ofício divino em latim e com esplêndidas melodias gregorianas, produzem refinados paramentos e preciosos adereços para as igrejas e, em seu moderno laboratório, restauram antigos manuscritos e livros; mas também sabemos que na cozinha preparam doces especiais, as geleias com frutas da horta e a deliciosa geleia de marmelo. Em<span> </span><strong>Santa Maria del Monte</strong>, em<span> </span><strong>Cesena</strong>, os monges lembram a comemoração dos mortos, quando na noite da vigília, em 1º. de novembro, se preparavam as &#8220;almas purgativas&#8221;, ou seja, as castanhas assadas salpicadas com uma boa graspa flambada que, mexidas nas frigideiras de cobre, emitiam faiscas coloridas de luz na escuridão do refeitório. O mesmo refeitório onde, por ocasião da visita às<span> </span><strong>dioceses da Romagna</strong><span> </span>em maio de 1986,<span> </span><strong>João Paulo II</strong><span> </span>foi recebido para comer o bom peixe de Cesenatico com toda a comunidade monástica. No mosteiro, a refeição é sempre um momento de profundo compartilhamento com os coirmãos, como mostra o afresco do<strong><span> </span>Milagre de São Guido</strong>, no refeitório da antiga abadia de Pomposa, em que é representado o<span> </span><strong>abade Guido</strong>, que transforma vinho em água para poder beber com o bispo de Ravenna,<span> </span><strong>Gebeardo</strong>, também em dias de jejum. À mesa, finalmente, é expressa a tolerância para com todos, mesmo aqueles que seguem uma dieta diferente da nossa, como sugere o afresco do século XVI do Sonho de São Pedro na sacristia de<strong><span> </span>San Pietro em Perugia</strong>: São Pedro em sonhos vê todos animais dos quais pode alimentar-se livremente porque tudo o que Deus criou é bom, desde que seja consumido com moderação e com o respeito pela criação.</p>
<p>A obra<span> </span><strong><em>Monaci a tavola</em></strong><span> </span>fala de uma mesa simples e sóbria, onde se come de maneira saudável e equilibrada, sem excessos e sem desperdício, com respeito e reconhecimento por quem produziu os<span> </span><strong>alimentos</strong><span> </span>e por quem os preparou e cozinhou com carinho para compartilhá-los com os confrades, na época de<span> </span><strong>São Bento</strong><span> </span>bem como nas comunidades monásticas de hoje. A partir desse livro, emerge a grande sabedoria e o equilíbrio que estão na base da<span> </span><strong>Regra de São Bento</strong>, que, embora tenha sido escrita há mais de quinze séculos, ainda é de grande atualidade para nós, homens do século XXI.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/590765-na-justa-medida-sao-bento-e-a-regra-a-mesa">Na justa medida. São Bento e a Regra à mesa &#8211; Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU</a></p></div>
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		<title>A Correção Fraterna e a Obediência na Regra de São Bento</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2020 19:27:33 +0000</pubDate>
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				<div class="et_pb_text_inner"><h2>Introdução</h2>
<p>A regra de São Bento influenciou muito a igreja antiga entre os monges e também foi aquela que em muito direcionou as regras da vida religiosa na idade média, correspondida também pelos que formularam os fundadores de outros mosteiros. Se hoje temos o conhecimento da regra beneditina, é claro que a fonte primária da vida de São Bento, veio de São Gregório Magno no livro Diálogos<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, Papa de 590 até 604. Ele elaborou muitas coisas a respeito de São Bento onde se estabeleceu a Monte Cassino e lá fundou um mosteiro compondo a regra para os seus cenobitas. A sua fama de santidade se estendeu em muitas partes do mundo<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. São Bento deve ter morrido em 547.</p>
<p>A regra de São Bento sintetiza a volta para Deus, por meio da obediência, debaixo da guia de Cristo do qual não se deve antepor nada. Ela tem presente à meditação sobre Deus, sua Palavra e a importância do trabalho<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>. A seguir analisemos os itens da correção fraterna e da obediência a partir de sua regra formulada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O valor da correção fraterna</h2>
<p>Em relação à correção fraterna São Bento afirmou que toda a idade e inteligência devem ter um tratamento apropriado<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>. Com isso ele queria dizer que toda a vez que um monge cometesse falta grave, recebesse a punição, mas com caridade, com amor pelos seus irmãos. O fato é que a Palavra de Deus sobre a correção fraterna deveria guiar a vida dos monges, onde o Senhor pede para que os seus discípulos se corrijam com amor (cfr. Mt 18, 15-16).</p>
<p>Em outra parte de sua regra, São Bento teve presentes à relação entre os monges idosos e os monges jovens. Sabemos que no movimento monacal dos primeiros séculos muitas vezes havia divergências entre essas duas partes. São Bento tinha uma palavra bem objetiva neste sentido qual seja a natureza humana fosse levada à compaixão em relação a essas duas idades, isto é dos idosos e dos jovens, a autoridade da regra forneceria a eles<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. São Bento exortava que se levassem em conta à vida das pessoas, marcadas pelas debilidades das mesmas de modo que não deveria aplicar o rigor da regra em relação aos alimentos, mas tenha para eles uma afetuosa consideração<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>. Vemos como o fundador dos mosteiros beneditinos observava bem a vida das pessoas, para que os monges vivessem bem dentro dos mosteiros onde todos se compreendiam e buscasse a fraternidade, o amor entre eles e com Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A consideração sobre a obediência</h2>
<p>Nós percebemos na regra beneditina a importância da obediência seja para com o abade, seja entre os próprios monges. A obediência é uma atitude de ouvir, de escutar com atenção o outro e de assumir um comportamento pelo qual uma pessoa assume as ordens dadas por outro. É uma atitude bíblica, onde o próprio Senhor apreendeu a obediência, por aquilo que padeceu (cfr. Hb 5,8). Neste sentido São Bento pedia para que se obedecesse ao abade sem restrições, e que a obediência estivesse também presente entre os monges<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>. Ele especificava que a obediência seria o caminho que levaria a todos a Deus<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>. Este dado é muito importante na qual a pessoa que obedece está em comunhão com os seus superiores e com o próprio Deus. A obediência torna as pessoas humildes, desprovidas de tudo para amar a Deus, ao próximo como a si mesmo. Diante das ordens que fossem dadas pelos abades, todos eram convidados a obedecer com solicitude e com caridade<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>. A pessoa obedece pela caridade, porque é nesta perspectiva que a vida humana se desenvolve e leva a pessoa até Deus. São Bento colocava também a importância da superação de descontentamento em relação ao superior para que em tudo houvesse uma penitência as coisas dadas e essas se revertessem em benção de Deus<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>. A caridade deve reinar em tudo.</p>
<p>Era preciso que os monges cultivassem um zelo bom que afastasse as pessoas dos vícios, as conduzisse a Deus e à vida eterna. Esse zelo fosse exercitado entre os monges com um amor muito forte, para que a estima entre os monges fosse um fator de convivência fraterna, para que todos se suportassem com muita paciência as próprias enfermidades físicas e morais, fazendo com ardor a obediência recíproca, ao abade, praticando desta forma o amor fraterno, temendo sempre a Deus e nada se antepondo a Cristo Jesus<a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>.</p>
<p>Esses dados na regra de São Bento são importantes na convivência entre nós, nas comunidades, com as pessoas, os povos, para que o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo reine em nossas vidas, de seguidores, seguidoras do Senhor, e sejamos missionários e missionárias de Cristo e de sua igreja na realidade atual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">*<strong>Dom Vital Corbellini</strong><br /><strong>Bispo de Marabá (PA)</strong></p>
<p>Fonte: <a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/">A correção fraterna e a obediência na regra de São Bento | CNBB</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a><span> </span>Cfr. Hubertus R. Drobner,<span> </span><em>Patrologia</em>.<span> </span><em>Istituto Patristico Augustinianum</em>. Edizione Piemme, Casale Monferrato, Asti, 1998, pg. 657. Ver também: M. Spinelli,<span> </span><em>Gregorio Magno</em>, In:<span> </span><em>Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane</em>, diretto da Angelo Di Berardino.<span> </span><em>Institutum Patristicum Augujstinianum</em>, Marietti, Genova- Milano, 2007, pg. 2447.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a><span> </span>Cfr. São Gregório Magno,<span> </span><em>São Bento, Vida e Milagres, Segundo livro dos Diálogos</em>. Edições Subiaco, Juiz de Fora-MG, Edições Lumen Christi, Rio de Janeiro, 2014.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a><span> </span>Cfr. Hubertus R. Drobner,<span> </span><em>Patrologia</em>.<span> </span><em>Istituto Patristico Augustinianum</em>.<span> </span><em>Idem</em>, pg. 641.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a><span> </span>Cfr.<span> </span><em>La Regola di San Benedetto e le regole dei padri</em>, a cura di Salvatore Pricoco, XXX, 1-2. Fondazione Lorenzo valla, arnoldo mondadori editore, Verona, 1995, pg. 197.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a><span> </span><em>Idem</em>, XXXVIII, pg. 207.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a><span> </span><em>Ibidem</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a><span> </span>Cfr.<em><span> </span>Idem</em>, LXXI, pg. 269.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a><span> </span>Cfr.<em><span> </span>Idem</em>, LXXI, pg. 269.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a><span> </span>Cfr.<span> </span><em>Ibidem</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a><span> </span>Cfr.<span> </span><em>Ibidem</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.cnbb.org.br/a-correcao-fraterna-e-a-obediencia-na-regra-de-sao-bento/#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a><span> </span>Cfr.<span> </span><em>Ibidem</em>, pg. 271.</p></div>
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		<title>A Paternidade Espiritual na Regra de São Bento</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 18:19:59 +0000</pubDate>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p id="capitular">A paternidade espiritual está presente de começo ao fim da Regra de São Bento. Para percebê-lo contudo, é necessário buscar a “paternidade espiritual” tal como era concebida no Novo Testamento e na tradição cenobítica primitiva, e não como algo que corresponda à noção moderna de “direção espiritual”.</p>
<p align="JUSTIFY">Bento sublinha em absoluto primeiro lugar, a paternidade de Deus. Mostra, em seguida, como ela se exprime na vida da comunidade, em particular pelo exercício do serviço abacial, mas também através de todos os colaboradores do Abade e mesmo na obediência mútua que os monges são chamados a praticar.</p>
<p align="JUSTIFY">Todo o Prólogo da Regra fala da paternidade de Deus. Bento pede ao discípulo de aceitar de bom grado os “conselhos de um pai afetuoso” (<i>admonitionem pii patris)</i><span> </span>e afirma que sua Regra se dirige a quem quer que queira voltar, pelo labor da obediência ao pai, do qual se separara pela desídia da desobediência, a fim de que de pai afetuoso (<i>pius pater) não</i><span> </span>venha ele a se transformar em pai irritado<span> </span><i>(iratus pater) e</i><span> </span>não venha a deserdá-lo. O Senhor, com efeito, como um pai amante, nos deseja ensinar o temor do Senhor (<i>Venite, filii, audite me: timorem Domini docebo vos) e<span> </span></i>nos traçar o caminho da vida.</p>
<p align="JUSTIFY">Logo após este Prólogo, vem o Capítulo 1, sobre as categorias de monge, no qual Bento define o que é um cenobita. É aquele que vive numa comunidade, sob uma regra e um abade. São três os elementos essenciais da vida cenobítica, e a ordem na qual são enumerados é fundamental. (Na história monástica assiste-se a uma decadência, ou ao menos, a um desvio do carisma, cada vez que esta ordem é modificada na prática). Acha-se esta mesma ordem na promessa que faz o noviço após ter-se-lhe lido a Regra. Deve ele prometer: a)<span> </span><i>stabilitas in communitate</i>; b)<span> </span><i>conversatio<span> </span></i>(vida segundo a Regra); c)<span> </span><i>obedientia.</i></p>
<p align="JUSTIFY">Não é senão após ter bem estabelecido este quadro geral que Bento fala do exercício da paternidade espiritual no seio da comunidade. E, seguramente, fala em primeiro lugar da missão que o abade tem de encarnar e de exercer a paternidade de Deus com relação aos seus irmãos. E é por isto que é chamado de “<i>abbas”.</i></p>
<p align="JUSTIFY">Que consequências tira Bento? Primeiramente, que o abade deve ensinar (esta é tradicionalmente a função por excelência do pai espiritual). Deve ensinar os mandamentos e os preceitos do Senhor por suas palavras e por seu exemplo e, evidentemente, nada ensinar que não seja conforme ao preceito do Senhor. Será, com efeito, responsável, no dia do Juízo, pela sua doutrina e pela obediência dos irmãos.</p>
<p align="JUSTIFY">Deve encarnar o amor do Pai e do Cristo por todos, mostrando a todos os irmãos uma mesma afeição. Deve engendrar o Cristo neles, isto é, conduzi-los gradualmente a uma mais perfeita conformidade à imagem do Cristo, aí compreendida a repreensão, a exortação, e se necessário, corrigindo suas faltas.</p>
<p align="JUSTIFY">Bento faz seguir imediatamente este capítulo sobre o abade por aquele sobre a convocação dos irmãos ao Conselho. E isto porque Deus exerce sua paternidade sobre a comunidade revelando a todos os irmãos, mesmo aos mais jovens, o que ele espera da comunidade. Ninguém no mosteiro, nem mesmo o abade, fará sua vontade própria, mas só a do Pai celeste.</p>
<p align="JUSTIFY">Segue-se naturalmente o Capítulo 3 sobre a obediência, onde o monge é convidado a imitar o Cristo que não veio fazer sua vontade mas a do Pai que o enviou.</p>
<p align="JUSTIFY">O Abade partilha com muitas pessoas o exercício de sua paternidade espiritual, quer através de uma responsabilidade explicitamente espiritual , ou mesmo através de uma tarefa material. De todos, Bento pede a capacidade de transmitir a doutrina, ou ao menos de dar uma boa palavra. Há primeiramente os decanos (c. 21) que são escolhidos “segundo o mérito de suas vidas e a sabedoria de sua doutrina” e os “simpectas” (c.27) para as situações difíceis, escolhidos também por sua sabedoria (“<i>seniores sapientes</i>“).</p>
<p align="JUSTIFY">Esta paternidade se estende à ordem das coisas materiais. O abade partilha sua responsabilidade com o celeireiro, que não é simplesmente um administrador, mas alguém que toma parte no exercício da paternidade do abade. Deve, como diz Bento, ser como um pai para toda a comunidade (<i>omni congregationi sicut pater</i>) (c. 31). Assim também o enfermeiro (c. 36) que deve servir os irmãos como o Cristo.</p>
<p align="JUSTIFY">Enfim há aquele que se chama hoje Mestre dos noviços, isto é, um ancião capaz de ganhar as almas, e que vela sobre os noviços com uma solicitude paternal (c.58). E além dele, há o prior, mas Bento parece ter tido dificuldades com os priores, e só fala sobre o tema para que se tenha presente o perigo da tensão entre o abade e o prior! (c. 65)</p>
<p align="JUSTIFY">O quadro do exercício da paternidade espiritual na Regra não ficaria completo sem mencionar os dois belíssimos capítulos sobre a obediência mútua e sobre o bom zelo (c. 71 e c. 72) pelos quais os irmãos não somente se manifestam sentimentos fraternais, mas exercem uns para com os outros a paternidade de Deus.</p>
<h2 align="JUSTIFY">Conclusão</h2>
<p align="JUSTIFY">Bento claramente se enraíza na grande tradição cenobítica.</p>
<p align="JUSTIFY">Para ele, a paternidade espiritual, isto é, a expressão da paternidade de Deus, se exerce em comunidade através da própria vida comunitária, através da regra que atualiza para esta comunidade a vontade do Pai, como através da meditação do abade e de todos os que participam na tarefa do abade em todos os serviços da comunidade, seja de qualquer tipo (material ou espiritual).</p>
<p align="JUSTIFY">O que existe da “direção espiritual”? – O monge deve primeiro confessar a Deus, todo dia, na oração, suas faltas passadas (c. 4,57). Deve também confessar a seu abade ou aos seus irmãos mais velhos (c. 7,44: c. 46,6) seus maus pensamentos e os pecados secretos de sua alma. Com relação ao seu abade, que ele deve amar com um afeto sincero (c. 72,10), deve ter um coração aberto. Mas nada indica que Bento tem em vista que exista entre os monges e seu abade uma comunicação constante de pensamentos como nos meios anacoréticos. Quando surgem dificuldades especiais, o abade deve intervir para aconselhar, corrigir, punir, etc. Deve se fazer ajudar pelos simpectes para os monges adultos nas situações mais difíceis, e de um ancião para os noviços, como de um celeireiro para as coisas materiais, de um enfermeiro para os doentes, etec. Mas essencialmente, sua paternidade espiritual se exerce através de seu ensinamento, que ele deve ministrar tanto pelo exemplo como pela palavra.</p>
<p align="JUSTIFY">
<p align="JUSTIFY" style="text-align: right;">*<span>Dom Armand Veilleux, OCSO</span></p>
<p style="text-align: right;">(Tradução: Cecília Fridman)</p>
<p style="text-align: right;">Fonte: merton.org.br</p></div>
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